Paula Raia dá rasante na cidade para mostrar marca própria
Em sua primeira visita a Brasília, a convite da empresária Ana Paula Gonçalves, a única cidade dentre os oito pontos escolhidos para comercializar suas peças, a estilista Paula Raia bateu um papo com o GPS| Brasília sobre os novos desafios. Inteligente, sofisticada e dona de uma elegância natural, a criadora não se considera uma fashionista e confessa não conhecer a fundo a brasiliense, mas admite o interesse em retornar à capital para estreitar os laços nessa atual fase da carreira.Após encerrar a parceria de uma década de sucesso com sua amiga Fernanda de Goeye e fechar a Raia de Goeye, você decidiu criar sua própria marca. Como está sendo essa movimentação?
Estou achando muito bom esse começo de projeto porque hoje tenho muita liberdade. Iniciar algo quando se tem 20 anos é totalmente diferente porque as coisas vão acontecendo sem nenhuma ordem. E é difícil saber exatamente o que ser quer. Quando decidi criar a marca nova, optei por escolher seguir um caminho muito interno, meu, redondo, com a minha cara. Então tem sido um processo muito prazeroso por ser pé no chão, real.
A primeira coleção tem cores vivas e recortes bem ousados. Quais suas principais referências para esse trabalho?
Não costumo seguir tendências e prefiro apostar em opções mais livres. Como essa era minha primeira coleção sozinha, inicialmente optei por não usar nenhuma referência nem tema. Conforme fui desenhando, acabei sentindo vontade de trabalhar com roupas urbanas sem nenhuma cara de praia. Mudei bastante a proporção em relação ao que costumava trabalhar. Subi a cintura. Com relação as cores, trabalho com tons que são belos, que me atraem e valorizam diferentes tipos de mulher.
Tudo foi bem rápido desde a criação da marca no início do ano. Você já desfilou na São Paulo Fashion Week em junho, abriu a primeira loja na sequência. Quais os próximos passos?
Nossa, foi realmente tudo muito rápido, um Deus nos acuda. Por agora estou curtindo o espaço novo, a identidade visual e vou dar um respiro. Não vou desfilar no inverno porque é uma ação inviável para uma marca do meu tamanho. Vou focar no desenvolvimento da próxima coleção.
Você é muito ligada em dança. O que tem escutado nas suas aulas?
Na aula de jazz ouço bastante Macy Gray, que adoro. Já nas aulas de hip hop, o clima é mais street. Em casa, escuto música espanhola e MPB. Gosto bastante de Maria Gadú e Mercedes Sosa.
Suas roupas são sensuais, mas têm um despojamento e sofisticação que nem sempre são entendidos. Como uma profissional ligada a estética, como vê o estilo da brasileira?
Acho que a mulher brasileira prioriza a sensualidade e a beleza acima de qualquer coisa. Quando se cria peças para a mulher, acredito que a beleza feminina deve ser sempre levada em conta. Onde a mulher se sente bonita? Isso varia de olhar. Ombros, pernas, colo, braços. As áreas são variadas, mas a busca pela melhor maneira de valorizar é constante.
O final do ano está logo aí. Já tem planos?
Tenho uma casa em Paraty que costumo frequentar com a família e os amigos. No dia 20 de dezembro vamos todos para lá, e aproveito as férias coletivas para relaxar e ficar perto das crianças. O retorno está marcado só para a primeira semana de janeiro.