Consultora de moda fala de sua experiência para clientes da Gucci
Costanza Pascolato esteve em Brasília. Ouvi-la foi um deleite para as convidadas, como é de costume toda vez que ela oferece ao brasiliense o prazer de dividir seus conhecimentos e sua experiência. No interior da Gucci, recém-inaugurada no Iguatemi, Costanza, elegante que é, chegou pontualmente e com sua naturalidade extrema, conversou com todas que lhe abordavam até a hora de iniciar a palestra sobre sua experiência na fábrica e no novo museu da marca italiana ao longo da última semana de moda de Milão.
“Aqui estamos entre amigos. Então vamos conversar. Eu não frequentei a escola. Daí meu pai dizia: ‘filha, estude História. É fundamental’. Foi assim que aprendi a contar histórias” . E Costanza começou a narrar suas novas descobertas sobre o universo Gucci. Em princípio com o que ela classificou de o jantar mais importante de sua vida, recentemente, em Florença, no Palácio Vecchio, um dos mais antigos da Itália, cuja construção data 1922. “Eu não acreditei que estava lá, sentada ao lado de François Pinault, dono do conglomerado PPR, sob as obras de Giorgio Vasari, que eu tanto já havia admirado naquele lugar como visitante”, conta. “Eu era ninguém, ao lado do diretor do The New York Times; do diretor do Style.com; e até de Anna Wintour, editora-chefe da Vogue América”.
Mas o que a italiana, nascida em Siena, fugida da Segunda Guerra, se emocionou mesmo foram com as três horas que passou na fábrica, também em Florença, assistindo a confecção de uma bolsa. “Na Gucci, o que me emociona é que as peças são artesanais, e 100% fabricadas com mão-de-obra italiana”, diz. “Teve um momento que me emocionei. Me joguei em cima de uma delas, e chorei. Cada bolsa é um projeto. É como construir uma aeronave”. Ela cita uma frase de Carlo Argan, estudioso renascentista já falecido: ‘a arte acaba quando o artesanato acaba’, ressaltando o comprometimento da marca com suas raízes artesanais, uma vez que a confecção de uma bolsa leva 14 horas e contém cerca de 70 peças.
Costanza é estudiosa em moda há 46 anos. Começou aos 35 anos. “Eu e o Karl Lagerfeld temos a mesma idade, 72 anos”. Atualmente, atua na Santa Constância, a fábrica de sua família, escreve para a revista Vogue e presta consultoria para a H. Stern.
Momento Costanza
“Desde 2001 eu não tenho nem marido. Nem cachorro eu tenho. Assim tenho mais liberdade e posso me dedicar às três coisas que mais gosto: cinema, música e moda”
“Eu sou uma tarada pela moda”
“Aos 14 anos, eu me comportei bem naquele ano e ganhei uma bolsa Bamboo da minha mãe”
“Eu já fui que nem coruja: não falava nada, mas prestava atenção em tudo”
“Imagine que eu amo viver nesta era. Eu fui da manivela até a internet na mesma vida”
“A melhor construção de uma roupa no mundo está na Itália”
“Eu sou uma Prada Woman, todo mundo sabe disso”
“Mulher é quem sabe fazer roupa para mulher”
“Os três últimos desfiles da Gucci foram extraordinários. Puxam para si os ícones da sua história, chamando para a contemporaneidade”
Fotos: Mônica Bueno