O músico Jaques Morelenbaum dá entrevista exclusiva para GPS|Brasília
O currículo, ao ser visto pela primeira vez, faz parecer brincadeira. Impossível até. Parcerias com todos os principais nomes da música brasileira? Mas é verdade. Jaques Morelenbaum, filho de maestro e de professora, é hoje, um dos arranjadores mais disputados do mercado.
Em tempos de sucesso com a sofisticação de um "Ai se eu te pego", as composições e criações que levam a assinatura desse carioca de fala mansa e olhar concentrado têm tudo para serem indesejadas. A situação inversa é exatamente o que foi visto e presenciado pela equipe do GPS|Brasília, dias atrás.
De passagem pela cidade para apresentação no Centro Cultural Banco do Brasil, Jaques conversou com o portal, em momento de pura exclusividade, pouco antes de entrar no palco.
Agradável e consistente, o músico está a mil por hora e crê em uma base de talentos brasilienses importante para a cultura. "O ar do Cerrado deve contribuir com alguma inspiração especial para quem vive aqui", filosofa.
Você nunca fica muito tempo sem tocar em Brasília. Gosta da plateia brasiliense? Sim, gosto bastante. Venho pelo menos uma vez ao ano, com diferentes projetos. A última vez foi com o Orfeu da Conceição, que assinei a direção. Mas costumo me apresentar em diversos espaços, desde o CCBB, Clube do Choro, Caixa Cultural, Teatro Nacional. A receptividade é bem calorosa.
E tem acompanhado a cena do chorinho de Brasília? Não acompanho no dia a dia, mas volta e meia descubro um músico novo no Rio de Janeiro que é uma promessa interessante. Muitos são de Brasília. Já toquei algumas vezes com Hamilton de Holanda, André Vasconcelos... todos fantásticos. Acho que a cidade é um celeiro de bons músicos por uma série de fatores. Esse curso internacional que a Escola de Música oferece é uma oportunidade que se comenta muito no meio pela influência que exerce nos músicos da cidade.
No espetáculo Quadriláterovocês apostam em grandes sambas com arranjos de alto nível... E composições próprias também. A ideia é bem simpática porque proporciona ao público a possibilidade de perceber as nuances, os estilos de cada solista, como cada instrumento é empregado. Tem um lado didático que acho importante. Por outro aspecto, é muito bom poder tocar com gente que admiro, mas não consigo encontrar com frequência.
E tem algum nome que merece destacar nessa safra atual de instrumentistas nacionais? Citar Yamandú Costa e o próprio Hamilton é manjado, mas não tem como deixar de fora. O Ricardo Herz tem feito um trabalho com o violino popular e o Nicolas Krassik, que apesar de ser francês é um brasileiro nato.
E aonde a música vai te levar em 2012?
Tenho escrito orquestrações para o novo projeto do Gilberto Gil. Também tenho escrito algumas coisas para a Orquestra Sinfônica. A ideia é gravar um DVD e entrar em turnê pelo Brasil e o mundo. Ah, e pretendo gravar com o meu trio, o Cello Samba Trio. Vou rodar bastante.