Está empossada a nova ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci. Companheira de Dilma Rousseff na prisão durante a ditadura militar, a nova ministra já chegou criando polêmica ao se dizer a favor em discriminalizar o aborto.
Durante a solenidade, a presidenta Dilma deu as boas-vindas à amiga e destacou que ela chegava ao governo em um momento muito especial, lembrando a decisão do Supremo em relação à Lei Maria da Penha. “Esse é o governo mais feminino da história. Este País ganhou uma lutadora incansável pelos direitos das mulheres”.
Eleonora emendou: “Nossas trajetórias de mulheres se entrelaçaram. Nos engajamos na luta contra a ditadura, fomos presas, torturadas, vivemos na mesma cela, tivemos um engajamento que nos ensinou a lidar com as adversidades”, destacou.
A nova ministra é doutora em Ciência Política pela Universidade de São Paulo, fez pós-doutorado na Universidade de Milão, na Itália, e era pró-reitora de extensão da Universidade Federal de São Paulo, cargo do qual se licenciou para assumir a função no governo.
Ao ser indicada para o cargo, Eleonora disse que considera o aborto uma questão de saúde pública, como o crack, a dengue, o HIV, e não uma questão ideológica. Ela lembrou que o aborto, no Brasil, é a quarta causa de mortalidade materna e a quinta entre as internações.
“Minha posição pessoal, a partir de hoje, não diz respeito, não interessa”, disse. “A matéria da legalização ou descriminalização do aborto é uma matéria que não diz respeito ao Executivo, mas ao Legislativo”, completou.
Entre suas principais bandeiras, está a punição de estupradores, mesmo quando a vítima não procurar a delegacia e a criação de mais juizados especializados em violência doméstica e familiar. E ainda melhorias nas políticas de saúde e na disputa em paridade por mercado de trabalho.
“Nenhum ministério acha suficiente os recursos que tem. Porém, não fomos afetados. Para este ano, estão previstos R$ 107 milhões”, finalizou a ministra, antes de iniciar os trabalhos.
Foto: Agência Brasil