Estrategistas, Thiago e Lucas de Aragão representam a nova geração da Arko Advice
Eles viajam frequentemente para Londres, Bruxelas e Washington, circulam pelas rodas da elite política, têm acesso a diplomatas e CEO`s com grande facilidade, badalam nas festas mais vips no exterior e são íntimos de alguns dos principais formadores de opinião do País. Thiago e Lucas de Aragão não são celebridades, eles são os reis dos contatos e de quebra, têm "vinte e poucos anos".
A conversa previamente agendada, por conta da intensa agenda dos irmãos, teve o Bar Bottarga, no Lago Sul, como cenário. Conhecedores do que há de mais sofisticado no mundo, a dupla, ao lado do pai Murilo e do primo Cristiano, dá forma ao "quarteto fantástico" da consultoria Arko Advice, reconhecida como a principal marca no segmento de estratégia de comunicação institucional do País.
"Adoramos esse espaço", inicia Thiago de Aragão. "É um dos melhores segredos de Brasília", completa o sociólogo. Com 29 anos e um currículo pesadíssimo, o consultor é constantemente requisitado para analisar desde as situações político-econômicas latino-americanas até o momento das relações Brasil-China, como de fato ocorreu dias atrás, durante encontro com delegação empresarial realizado na sede da embaixada da África do Sul.
Thiago tem fala confiante, postura comunicativa e olhar sagaz. "A primeira vez que fui ministrar uma palestra em Londres fui barrado. Tinha 23 anos", lembra. Hoje, como analista de instituições internacionais, tem contatos em todos os setores do governo e empresariado nacional e vive experiência inédita: a paternidade. Casado com Carina Tafas, ele conta que a gravidez de oito meses vai dar ao pai o primeiro neto. "Mais uma geração de Aragão", brinca.
"No exterior as pessoas confundem nosso trabalho com serviço de inteligência, não com lobby, como acontece no Brasil", destrincha. A palavra lobby não sai arrastada ou com cuidado, pelo contrário, é usada por Thiago como parâmetro para o tipo de serviço que vai além de seus interesses.
"Oferecemos aos clientes análises não-partidárias e não-ideológicas, informações e pesquisas sobre o que está acontecendo no cenário brasileiro. Para isso, criamos estratégias de comunicação relacionadas às conjunturas social, regulatória e institucional do Brasil e América Latina", ensina.
"Para clientes estrangeiros, oferecemos o monitoramento das agendas públicas e das pautas diárias de Brasília. Também fazemos análises de médio a longo prazo sobre importantes decisões políticas, assim como uma profunda avaliação do risco legislativo", conclui, sem vacilar, entre um gole e outro de Blue Label.
Por cliente, entende-se multinacionais listadas nas bolsas de valores de São Paulo, Nova York e Londres. Com contas de 40 setores diferentes que vão desde operadoras de cartões de crédito, associações, até embaixadas, empresas de tecnologia, mineração, aviação civil e militar, a dupla vive um momento de plena satisfação com a demanda do exterior.
"Todos os países querem fazer negócios com o Brasil. E as empresas internacionais querem saber tudo, desde o peso do Senado na política nacional, até informações sobre as regiões brasileiras onde têm maior número de casos de greves", conta Lucas, irmão mais novo de Thiago. E sim, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas intensificaram esse desejo pelo Brasil.
Formado em Ciências Políticas, o ex-jogador de futebol profissional de 25 anos confirma que é um desafio constante se fazer respeitado, já que quase sempre é a pessoa mais jovem dentro da sala de reunião. Perguntado se algo parecido acontece com relação ao nosso País, o consultor é direto: "Atuar a favor da quebra de preconceitos com relação ao Brasil e contra muitos estereótipos é um trabalho diário".
Perfeccionista, Lucas sabe o valor de sua atuação na empresa familiar. "Aumentei bastante a cartela de clientes porque tenho muitos contatos, tanto no Brasil quanto no exterior. Em viagens mensais para Estados Unidos, Europa ou África, aproveito para cultivar essas fontes e encontrar formadores de opinião", conta o jet setter.
No posto de showman da Arko, o consultor abusa de seus contatos, e da criatividade, para fazer determinadas pontes. "Essa abordagem social é onde me destaco", pontua. O contato com clientes via Facebook, por exemplo, é uma das modernidades utilizadas.
Se eles são tão requisitados, e seus serviços tão desejados, porque não são personalidades públicas em Brasília? Interesse em se manter fora dos holofotes? A resposta dos irmãos é bem mais simples. "Não circulamos muito na sociedade brasiliense porque não temos clientes aqui, mas se for analisar a lista das 100 empresas mais lucrativas/importantes do Brasil, 80% são clientes nossos", justifica Lucas de Aragão.
O futuro da Arko
Após lembrar que terá de usar cartola em um evento fechado em homenagem a Rainha Elizabeth, em Londres, na próxima semana, Thiago se diverte tentando entender como dois meninos apaixonados por futebol, que seguiram carreiras profissionais, mas abandonaram o esporte após sofrerem lesões nos joelhos, conquistaram tanto reconhecimento.
"E
nquanto crianças, acompanhávamos nosso pai em palestras e viagens de negócios, aplaudíamos suas vitórias e tentávamos entender suas derrotas. Aprendemos aos poucos, e de forma tão natural, a fazer o trabalho que não sentimos pressão em entrar ou não na Arko. Simplesmente aconteceu", diz.
E como imaginam a empresa, fundada pelo pai, Murilo, em 1982, daqui a dez anos? "Desejo ver a Arko como é hoje, bem-sucedida, bem posicionada, sinônimo de tradição e confiança. Mas permancendo do tamanho que é. Não temos o desejo de transformar a empresa em uma multinacional, até porque não é um trabalho fácil de fazer, é muito específico e exige conhecimento", diz Thiago.
Para o futuro mais próximo, Lucas adianta que a estratégia de expansão no exterior será intensificada em 2012. "Nossa sede funciona em Brasília e temos escritórios em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Nova York, e vamos abrir mais três operações, precisamente em Bruxelas, Viena e Montevídeu".
"Temos muita vontade de ter um parceiro no Nordeste, em Recife de preferência, mas até hoje não encontramos uma pessoa interessante", completa Thiago.
Na imagem em destaque, Lucas e Thiago
Fotos: Bruno Pimentel
Por Sarah Campo Dall`Orto